A economia mundial já foi sacudida por sucessivas crises. E o mercado de alimentação também foi atingido, porém numa proporção menor. A grande maioria dos operadores mundiais cresceu, um fenômeno que se explica em parte pelos movimentos descritos no parágrafo anterior.
Para os diversos atores do mercado do food service no Brasil, o entendimento da atividade como um negócio ainda está distante. Daí a transformá-los em profissionais desse mercado, a distância é idêntica. Tanto para aqueles que atuam em restaurantes comerciais como para aqueles que o fazem em restaurantes para coletividade, as fontes e recursos para a formação profissional são ainda precários _ poucas escolas de gastronomia, reduzida literatura abordando o tema no Brasil, escassos grupos de estudo, inexistência de uma base de dados sobre esse mercado etc.
Muitos desses atores chegaram a posições de destaque, mais como resultado de uma disciplina pessoal e da necessidade do emprego, do que pela vocação e pela formação acadêmica que tantas ciências exige. Diante disso, percebe-se que o próprio Estado ainda não sabe como tratar a questão, isto é, não distingue os aspectos sociais daqueles
comerciais. De fato, o mercado de serviços de alimentação ainda é pouco percebido.
A parte dos grandes operadores e grandes cadeias de restaurantes, tanto institucionais como high street ou comerciais, desperta nossa atenção e nos faz voltar o foco para a análise dos grupos independentes, ou seja, aqueles pequenos e médios operadores que, como todos os demais, começarão de forma singela. Apresentando um número muito limitado de operações, são grupos que gostarão do negócio, e que hoje representam, no seu coletivo, um número significativo de restaurantes, muitos deles com alguma reputação, e que certamente são carentes no acesso a maiores informações sobre o mercado de alimentação, de forma a fazer florescer seus negócios. Para esses, até adquirirem sua própria base de gerenciamento, o principal canal de evolução e de resolução de seus problemas diários continuará sendo o acompanhamento e a convivência com benchmarking de sucesso, traduzido em livros, artigos etc. Daí a importância em estimular os tratados da matéria do food service.
Uma abordagem mais sistêmica da profissão _ que traga os fundamentos da ciência da gestão em negócios tem faltado a todos. Seja no gestionar custos e resultados, suas equipes ou relações com clientes, seja no extrair o máximo de sua rede de fornecedores, enfim, registra-se a carência de dados de gestão e das melhores práticas para o sucesso do negócio.
Especialmente num mercado de alta competitividade, não é bastante o talento na cozinha, se não for mesclado com a força da gestão. E as questões estruturais do mercado ainda são profundas.
Afora as diferentes deficiências encontradas, para aqueles abnegados pela profissão permanece a ferrenha vontade de serem reconhecidos e de obterem sucesso profissional, a exemplo de tantos outros brasileiros em diferentes atividades, que vencem obstáculos, orientados pela sua determinação. Assim, vale e é de efeito altamente positivo toda a literatura presente ou futura que possa levar maior conhecimento e, simultaneamente, despertar para o promissor mercado da formação profissional de que o food service se ressente.